BATALÁ BRASÍLIA – RUMO À LAVAGEM DO BONFIM 2016

A Lavagem do Senhor do Bonfim é a maior representação do sincretismo religioso afro-brasileiro, reunindo elementos do catolicismo e do candomblé. A festa iniciada em 1754, reúne hoje mais de um milhão de pessoas na Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, e é considerada a segunda maior festa de manifestação popular da Bahia, perdendo apenas para o Carnaval. A lavagem da Igreja teve início em 1773 como parte dos preparativos para a missa solene a acontecer no segundo domingo de janeiro depois da Festa de Reis. Após proibição da Arquidiocese de Salvador, a lavagem passou a ser realizada fora da Igreja, nas escadarias e adro. Atualmente é realizada de maneira ritualística como gesto simbólico de purificação onde baianas vestidas a caráter chegam com moringas e potes de água perfumada seguidas de um imenso cortejo de devotos que percorrem cerca de oito quilômetros em busca de purificação e bênçãos.


Sua contribuição cultural é tamanha que, em 2013, a Festa do Senhor do Bonfim foi considerada Patrimônio Cultural Brasileiro pelo IPHAN. Segundo o Instituto, a festa está profundamente enraizada no cotidiano da cidade e é elemento importante na constituição da identidade baiana. Embora se recrie a cada ano, seus elementos básicos e estruturantes permanecem os mesmos: a Novena, o Cortejo, a Lavagem, os Ternos de Reis e a Missa Solene. Mais que uma grande manifestação religiosa da Bahia, a celebração é uma referência cultural importante na afirmação da baianidade e representa um momento significativo de visibilidade para os diversos grupos constituidores da sociedade soteropolitana.


Reconhecendo a importância desta festa popular para o fortalecimento da identidade cultural brasileira e acreditando na importância do intercâmbio cultural como prática para a formação do artista e para a abrangência de repertório de vida,, a banda BATALÁ, banda de ritmos afrodescendentes de autoria própria, participa no cortejo, voluntariamente, desde 2005, conduzindo o bloco ORISHALÁ de sua criação, e levando cerca de 50 mulheres percussionistas de Brasília a cada ano. O bloco ORISHALÁ se traduz na expressão artística de gratidão de um grupo que reconhece a importância de valorizar seus antepassados históricos e culturais, e utiliza-se da força do tambor como som de força e harmonia para manifestar seus louvores e orações, individuais e coletivos.



No ano de 2016, a Banda Batalá Brasília conta com o apoio do Ministério da Cultura e Fundo Nacional da Cultura, através do Edital de Intercâmbio 1/2015, oportunizando a ida de 30 integrantes a essa viagem de vivências tão importantes para o aprofundamento do conhecimento sobre as origens do ritmo samba-reggae e outras manifestações artísticas que fazem parte do mesmo contexto cultural.